sexta-feira, 25 de março de 2011

Memórias à Beira de um Estopim

                        XI
    27/12/03


Estive calado, pois temia denunciar minha intenção de versejar alto como os Andes – enquanto que minha voz rastejaria meu canto como uma serpente.

Trancado em mim mesmo, deixei meu verso crescer interiormente e assim pude evitar de interiorizá-lo com o padrão exterior.

Neguei à minha boca os beijos – e, com o não-uso da palavra, saboreei o silêncio inconformado de todas as bocas...

Agora, eu repilo esse silêncio antropofágico que banqueteia de meu peito aberto e empresto a minha voz à de todos vós...

                                          espero que ela (vossa voz) passe em meu verso de forma tão clara que, num resvalar de olhos, todos percebam a minha intenção – e as criancinhas que mal sabem ler, levem à mão a boca, segurando um sorriso, sem espanto ou dúvida... e o firmamento por sobre as suas cabeças se alarguem até que seus pensamentos e o horizonte se unam em um único e grande campo...



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2 comentários:

Kiro Menezes disse...

Nossa! Uau! Que lindo... Mesmo menino ♥

Versejar teu, deslizes da voz sobre os versos musgados e belos, floridos por teu calor e desejo!

Larissa Marques disse...

belo poema!
esperança é que mata, querido!
e viver é uma guerra!
beijo!