sábado, 26 de setembro de 2009

Carta a Marcus Gunn

Prezado Marcus Gunn

Acuso, com tristeza, o recebimento da síndrome que me enviaste. Choro a cada refeição a lágrima solitária, mecânica e sem vontade. É inevitável, Marcus, afinal, mastigar é preciso, chorar, vez por outra, contudo que no choro morem sentimentos. Certa vez um garçom inquiriu-me a respeito da lágrima periférica escorrendo pela face destra. Espante-se, Marcus. Pensava ele que a comida não me apetecia. Está ótima, disse fungando.
Conheces a obra de Nelson Rodrigues? Viste o filme onde uma colegial mata sete gatinhos? Certamente que não pois és estrangeiro, sabe-se lá de onde. Santo Google nada informa sobre suas origens. Pois bem, não há de conhecer o Bruxo Nelson, porém lhe informo, contrariado: não sou o demônio que chora por um olho só!


Cordialmente

Aquele que ainda não entregou os pontos

3 comentários:

Larissa Marques disse...

ler-te é sempre um prazer!
sê bem vindo!

Maria Júlia Pontes disse...

Arrepiante Zulmar!
muito bom mesmo!

Luciana disse...

L-I-N-D-O
Como diria Renato Russo num trecho de Metal contra as nuvens:"Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então."