quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

*As Cores do Silêncio*

"Não haverá borboletas se a vida não passar
por longas e silenciosas metamorfoses. Rubem Alves"

Que vivam sempre em mim

as borboletas
que revoluteam
nos campos abertos
e que no rufar das asas
deslizem surfando no ar
misturando as cores na brisa

Que vivam sempre em mim

as borboletas
que ao som dos movimentos
dancem a musica das cores
mastigando as horas
passadas nos perfumes das flores

Que vivam sempre em mim
as cores do silêncio dessa metamorfose

Bento Calaça

2 comentários:

Larissa Marques disse...

silencios dialogam comigo!
belo, belo!

Fred Matos disse...

Para dialogar deixo a minha borboleta:

Quando virou borboleta

Chove.
Constatação necessária
se não sei das circunstâncias
do outro agora. Aquele que será
quando. Se você souber deste.
Se não, não importa a torrente
nem existirá, por vão, o que aqui é,
onde não alcanço contrariar
minha natureza [e a da água feita fúria
rompendo entranhas sem delicadeza]
para sopesar cada palavra.
Conselho seu.

Há música: "Bridge over troubled water".
Encontrei o CD de Simon e Garfunkel.
Lembro-me lágrimas nossas
abraçados uma noite fria no Central Park.
Lágrimas aparentemente paradoxais
de felicidade e melancolia.
Não, a felicidade não é o riso gratuito,
a gargalhada fútil e fugaz. Pode ser, sim,
um esgarçar das fibras tensas de uma ilusão.
Já não há sonhos que nos una
desde quando me deixei ficar no tempo.
Sentença sua.

Já não chove.
Foi forte e breve como a sua presença.
Posso abrir a janela.
Está feito.
Ainda há música:
"The only living boy in New York",
mas não há sol. O sol, a música,
aríetes dissipando ânimos e desânimo
é uma boa imagem, nem sempre solução.
Por via das dúvidas
não ouvirei o "Requiem" de Mozart.
Fiquei morto muito tempo.

Ontem, embriagado,
queimei os meus poemas
[e no fogo
as metáforas fizeram-se belas
em luz e cinzas].
Seria, pensei, libertar-me da âncora
das nossas memórias. Ledo engano.
Aqui estou agora resgatando-as.
Para mim. Exclusivamente para mim.
De você não sei sequer se vive,
além da que morreu
quando virou borboleta.

Fred Matos